Mancha escura na unha: quando se preocupar e quando a biópsia ungueal é necessária?
DRA. TAISSA CANEDO | DERMATOLOGIA | SAÚDE DAS UNHAS

Você já percebeu um pequeno pontinho escuro na unha ou uma linha marrom muito fina que parece não desaparecer?
Muitas pessoas identificam essas alterações, mas acabam não procurando atendimento por acreditarem que se trata de algo sem importância. Outras deixam de investigar porque não sentem dor ou porque a mancha é tão pequena que quase passa despercebida.
Entretanto, nem toda alteração nas unhas é apenas estética. Algumas mudanças na coloração, mesmo discretas, podem ser manifestações de doenças que precisam de investigação, incluindo tumores do aparelho ungueal.
Uma das condições que merece atenção é o melanoma ungueal, um tipo de câncer que se desenvolve nas estruturas responsáveis pela formação da unha.
Isso não significa que toda mancha escura seja câncer. Existem diversas causas benignas para essas alterações. O importante é saber reconhecer os sinais que merecem atenção e entender quando uma avaliação especializada ou uma biópsia pode ser necessária.
Neste artigo, você vai entender quais são as principais causas das manchas nas unhas, como é feita a investigação e em quais situações a biópsia ungueal pode ser indicada.
1. Por que aparecem manchas escuras nas unhas?
As unhas podem apresentar alterações de coloração por diferentes motivos. Uma das manifestações mais comuns é a chamada melanoníquia longitudinal, caracterizada por uma faixa marrom ou escura que acompanha o comprimento da unha, desde a região próxima à cutícula até a extremidade.
Essa pigmentação ocorre pela presença de melanina, o pigmento que dá cor à pele, na estrutura que produz a unha, chamada matriz ungueal.
Entre as possíveis causas estão:
Ativação dos melanócitos: aumento da produção de pigmento pelas células responsáveis pela melanina. Pode ocorrer por fatores fisiológicos, hormonais, inflamatórios ou medicamentosos.
Nevo ungueal: uma espécie de pinta localizada na matriz da unha, geralmente benigna.
Traumatismos: pequenas lesões podem provocar sangramentos sob a unha, formando manchas escuras.
Infecções: algumas infecções por fungos ou bactérias podem alterar a coloração da lâmina ungueal.
Tumores ungueais: algumas lesões benignas e malignas podem provocar alterações pigmentares.
É importante lembrar que a presença de uma faixa escura não significa necessariamente câncer. A investigação depende das características da lesão, da história do paciente e da avaliação dermatológica.
2. Nem sempre a alteração é evidente: pequenos sinais também merecem atenção

Nem toda alteração suspeita na unha aparece como uma grande mancha escura. Em alguns casos, a manifestação inicial pode ser bastante discreta.
O paciente pode perceber apenas:
Um pequeno pontinho marrom ou preto;
Uma faixa longitudinal muito fina;
Uma pequena área com coloração diferente;
Uma pigmentação irregular em uma parte da unha;
Uma mancha próxima à cutícula;
Uma alteração que aumenta lentamente ao longo dos meses.
Por serem pouco perceptíveis, essas mudanças podem passar despercebidas durante muito tempo.
Outro aspecto importante é que algumas lesões ungueais não provocam dor nas fases iniciais. Assim, a ausência de dor não deve ser utilizada como garantia de que a alteração é inofensiva.
Uma pigmentação nova, persistente ou progressiva, principalmente quando aparece em apenas uma unha, merece avaliação dermatológica.
Não é necessário esperar a mancha aumentar, a unha deformar ou surgir dor para procurar orientação médica.
3. Quando uma mancha na unha merece atenção?
Algumas características podem indicar a necessidade de uma investigação mais cuidadosa.

Observe especialmente:
Mudança de tamanho: a mancha ou faixa fica mais larga com o passar do tempo.
Alteração de cor: surgem diferentes tonalidades de marrom ou preto.
Irregularidade: a faixa apresenta linhas, bordas ou pigmentação pouco uniformes.
Acometimento de uma única unha: especialmente quando a alteração é recente e não existe uma causa conhecida.
Pigmentação ao redor da unha: a cor escura ultrapassa a lâmina ungueal e alcança a pele próxima à cutícula.
Alterações estruturais: a unha começa a rachar, deformar, descolar ou apresentar uma elevação.
Feridas ou nódulos: aparecem lesões persistentes sob ou ao redor da unha.
Um sinal conhecido é o sinal de Hutchinson, caracterizado pela extensão da pigmentação para a pele ao redor da unha.
Essas características não confirmam, isoladamente, um diagnóstico de melanoma, mas são importantes para orientar a investigação.
4. O que é melanoma ungueal?

O melanoma ungueal é um tipo de melanoma que se desenvolve no aparelho ungueal, frequentemente na matriz da unha, estrutura responsável pela produção da lâmina ungueal.
Ele pode se manifestar como uma faixa longitudinal marrom ou preta, mas também pode provocar outras alterações, como:
Escurecimento de parte da unha;
Alteração progressiva da pigmentação;
Rachaduras ou deformidades;
Descolamento da lâmina ungueal;
Formação de nódulos;
Feridas que não cicatrizam.
Um dos desafios é que, principalmente no início, o melanoma ungueal pode ser confundido com uma mancha decorrente de trauma ou com outras alterações benignas.
Além disso, diferentemente de outros tipos de câncer de pele, sua localização não depende necessariamente de exposição solar.
Por isso, o diagnóstico exige atenção às características clínicas e à evolução da lesão. Quando existe suspeita, a investigação não deve ser adiada.
5. Como o dermatologista investiga uma alteração na unha?
O primeiro passo é uma consulta dermatológica.
Durante a avaliação, o médico investiga quando a alteração apareceu, se houve crescimento ou mudança de aparência, se existe histórico de trauma e se outras unhas apresentam características semelhantes.
Um dos principais recursos utilizados é a dermatoscopia ungueal, também chamada de onicoscopia.
Esse exame permite observar detalhes da pigmentação, como a disposição das linhas, a distribuição das cores e a regularidade dos padrões.

A dermatoscopia auxilia na diferenciação entre alterações benignas e suspeitas e pode ajudar o dermatologista a decidir se é necessário acompanhar a lesão ou realizar uma biópsia.
Em alguns casos, fotografias clínicas e dermatoscópicas seriadas permitem comparar a aparência da unha ao longo do tempo.
Uma revisão publicada em 2025 no Journal of the American Academy of Dermatology destaca a importância da avaliação clínica, da onicoscopia e, em situações selecionadas, do exame histopatológico para investigar a melanoníquia longitudinal.
6. O que é a biópsia ungueal?
A biópsia ungueal é um procedimento cirúrgico que consiste na retirada de uma pequena amostra de tecido de uma das estruturas da unha para análise laboratorial.
O material coletado é encaminhado para exame anatomopatológico, no qual um médico patologista examina as células e os tecidos para identificar possíveis alterações.
A biópsia pode ser indicada para investigar:
Suspeita de melanoma ungueal;
Tumores benignos e malignos do aparelho ungueal;
Pigmentações persistentes sem causa esclarecida;
Alterações suspeitas na matriz ou no leito ungueal;
Algumas doenças inflamatórias que afetam as estruturas da unha.
É importante compreender que nem toda mancha exige biópsia. A indicação depende da avaliação dermatológica e da necessidade de confirmação diagnóstica.
A escolha do local e da técnica de coleta também é fundamental para que a amostra represente adequadamente a alteração investigada.
7. Como é realizada a biópsia de unha?
A biópsia ungueal exige conhecimento específico da anatomia da unha, pois cada estrutura possui uma função e pode ser responsável por diferentes alterações.
O procedimento é realizado, geralmente, com anestesia local por meio de um bloqueio digital, que promove a perda temporária da sensibilidade do dedo.
A técnica utilizada depende da localização e das características da lesão. Entre as estruturas que podem precisar de investigação estão:

Matriz ungueal
É a região responsável pela produção da unha. Algumas alterações pigmentares têm origem nessa estrutura.

Leito ungueal
É o tecido localizado abaixo da lâmina da unha, que participa de sua sustentação e fixação.

Pregas ungueais
São as estruturas de pele que circundam e protegem a unha.
Dependendo do caso, pode ser necessário afastar ou remover temporariamente parte da lâmina ungueal para acessar o tecido que será examinado.
A amostra é retirada com uma técnica escolhida de acordo com a localização da alteração, a suspeita clínica e a necessidade de preservar as estruturas da unha.
Após a coleta, o material é encaminhado para análise anatomopatológica.
O planejamento é especialmente importante nas biópsias da matriz ungueal, pois essa região participa diretamente do crescimento da unha.
8. A biópsia de unha pode deixar sequelas?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes dos pacientes.
A possibilidade de alterações após o procedimento depende principalmente da estrutura biopsiada, da extensão da lesão e da técnica utilizada.
A matriz ungueal merece atenção especial, pois é responsável pela formação da lâmina da unha. Quando essa região sofre uma lesão, pode ocorrer alteração no crescimento, irregularidade ou deformidade ungueal, em alguns casos de caráter permanente.
Isso não significa que a biópsia deva ser evitada quando existe indicação médica.
Significa que o procedimento precisa ser cuidadosamente planejado, com escolha adequada da técnica e avaliação dos riscos e benefícios.
O objetivo é obter uma amostra suficiente para esclarecer o diagnóstico, preservando, sempre que possível, a função e a aparência da unha.
Após o procedimento, o paciente recebe orientações sobre curativos, higiene, cuidados com a região e acompanhamento da cicatrização.
9. Toda mancha escura na unha precisa de biópsia?
Não. Essa é uma informação muito importante.
Existem alterações pigmentares benignas que podem permanecer estáveis por anos e não necessitam de intervenção cirúrgica.
A decisão de realizar uma biópsia depende de diversos fatores, como:
Idade do paciente;
Tempo de aparecimento da alteração;
Evolução da pigmentação;
Características observadas na dermatoscopia;
Número de unhas afetadas;
Localização e padrão da mancha;
Histórico pessoal e familiar relevante.
Em determinadas situações, o dermatologista pode recomendar acompanhamento clínico e dermatoscópico, com fotografias para observar possíveis mudanças.
Em outras, a biópsia é necessária para esclarecer a natureza da lesão.
Nas crianças, por exemplo, algumas pigmentações ungueais benignas podem apresentar características que se assemelham às de lesões suspeitas observadas em adultos. Por isso, a avaliação deve considerar as particularidades de cada faixa etária.
Uma revisão especializada publicada em 2025 reforça que a interpretação das alterações pigmentares deve considerar o contexto clínico e que nem todos os casos exigem abordagem cirúrgica imediata.
O mais importante é não tentar diagnosticar a alteração sozinho nem adiar a avaliação quando houver mudanças na unha.
10. Quando procurar um dermatologista?
Não espere sentir dor para procurar atendimento. Algumas alterações ungueais podem evoluir sem provocar sintomas dolorosos inicialmente.
Procure avaliação dermatológica se perceber:
Uma nova faixa marrom ou preta na unha;
Um pequeno ponto escuro que persiste ou muda de aparência;
Uma mancha que aumenta progressivamente;
Pigmentação que alcança a pele ao redor da unha;
Descolamento ou deformação sem causa aparente;
Nódulos ou feridas persistentes sob a unha;
Alterações que não melhoram com os tratamentos habituais.
É importante lembrar que esses sinais não significam necessariamente a presença de um tumor. Entretanto, merecem investigação para que a causa seja identificada corretamente.
O diagnóstico precoce permite reconhecer alterações que precisam de tratamento e definir a melhor conduta para cada paciente.
A saúde das suas unhas merece atenção especializada

As unhas também fazem parte da saúde da pele e podem apresentar sinais importantes sobre diferentes condições dermatológicas.
Uma pequena mancha, uma faixa discreta ou uma mudança persistente na coloração não devem ser automaticamente consideradas inofensivas, especialmente quando surgem em apenas uma unha ou apresentam evolução.
A biópsia ungueal é um procedimento especializado que pode ser fundamental para investigar alterações e esclarecer diagnósticos, incluindo a suspeita de tumores do aparelho ungueal.
A Dra. Taissa Canedo realiza procedimentos dermatológicos, incluindo biópsias ungueais, para investigação de alterações e lesões das unhas.
Percebeu alguma mudança nas suas unhas? Agende uma avaliação dermatológica.
Referências científicas
O conteúdo foi elaborado com base em literatura dermatológica e publicações científicas sobre doenças do aparelho ungueal, diagnóstico de melanoma e técnicas de biópsia.
1. Ricardo JW et al. (2025). Evaluation and diagnosis of longitudinal melanonychia: A clinical review by a nail expert group. Journal of the American Academy of Dermatology, 93(1), 176–187. Revisão atualizada sobre avaliação e diagnóstico das faixas pigmentadas longitudinais. Consultar publicação no PubMed.
2. Moscarella E et al. (2025). Digital dermoscopy follow-up for acquired longitudinal melanonychia. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology. Estudo sobre acompanhamento dermatoscópico de alterações pigmentares adquiridas. Consultar publicação.
3. Managing longitudinal melanonychia (2024). Hand Surgery and Rehabilitation, 43, suplemento. Revisão sobre investigação, indicação e técnicas de biópsia em casos de melanoníquia longitudinal. Consultar publicação no PubMed.
4. Nail Biopsy: A User's Manual (2018). Indian Dermatology Online Journal. Revisão sobre indicações, técnicas e possíveis complicações da biópsia ungueal. Consultar publicação no PubMed.
5. DermNet New Zealand. Nail matrix biopsy. Material técnico sobre técnicas de biópsia da matriz ungueal e cuidados para minimizar sequelas. Consultar referência.
6. American Academy of Dermatology. How to check your nails for melanoma. Orientações sobre sinais de alerta do melanoma ungueal. Consultar orientação.
Este artigo tem finalidade educativa e não substitui consulta médica, avaliação dermatológica ou diagnóstico individualizado.

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